*1000 PÍLULAS DE FILOSOFIA*
*Primeira pílula*
Quem já sentiu náusea? mas não qualquer náusea, a náusea por existir, simplesmente existir? Sartre falou sobre isso na "Náusea", premiado romance que toca nesse ponto. No romance Roquetin muda -se para uma cidade imaginária, porém mais heterópica do que utópica, pra escrever um romance sobre um Marquês do séc.XVII, tudo estava certo, justo e perfeito em sua vida. Ele havia chegado ao topo em sua vida, é podia viver sem trabalhar, só com o que já tem guardado. Esse sempre é o perigo maior, quando tudo chega ao topo começa o declínio. E Roquetin na sua solidão confortável em sua casa, feliz por fazer o que sempre almejou, de repente, um dia, por muito pensar, perde todo sentido da existência! Mais que isso, sente uma indigestão com a vida. E agora? Qual será o anti-acido eficaz pra este estado nauseabundo existencial? As mediocridades dos entretenimentos? As fugas do trabalho ou das paixões? A poesia, a filosofia, e a ciencia? ou o ópio das religiões e outros narcóticos? De fato, até a poesia, filosofia e ciência pode servir de fuga pra não encarar o vazio da existência e a dura realidade da morte.
A morte vai pegar todo mundo um dia, quer queira quer não, não há saída pra isso, todos nós um dia vamos ser comidos por vermes no final de tudo.
Sobre isso, há um tempo atrás fui num velório, um daqueles velórios passado da hora, com o ambiente cheirando mal sem ter mais nada que fazer a não ser sepultar o defunto logo. E olha o que ocorreu: um parente dele, queria porque queria, vê-lo, mas mal abriu-se o caixão e um punhado de vermes saltou no salão do cemitério, e eles tiveram que fechar o caixão correndo. Ficou-me então claro uma coisa, os vermes nos esperam no final de tudo! O final da vida com certeza é isso, ser comido por vermes.
No entanto, como essa situação é diferente no início de uma vida! No princípio, quando do nascimento de um ser vivo. Uma mãe amorosa nos espera nessa hora, na nossa chegada a este mundo. De onde viemos, porque viemos e pra onde iremos é já uma incógnita. Mas a nossa mãe está lá, feliz com o bebê e pronta pra se doar por nós. As tias e talvez avós nos enchem de talcos e perfumes de bebê, tudo antialérgico, pessoas cheirosas da família e da amizade nos pegam com toda higiene e cuidado. Porém, no final da vida, na nossa morte, nós estaremos sozinhos ou sozinhas, trancados ou trancadas numa gaveta escura ou num saco costurado por um zíper com os vermes já se preparando pra fazerem a festa macabra, depois, depois do necrotério, vamos pra uma funerária onde seremos expostos à pessoas estranhas num caixão até a hora de descer à tumba. Dizem os cientistas que o ouvido é o último dos sentidos a se apagar, mas como? O corpo não morre todo de uma vez, muitas funções do cérebro vão se apagando aos poucos, principalmente um corpo jovem, ou vigoroso, mesmo em alta idade, é claro que depende do tipo de morte. Talvez a da audição já tenha se apagado, talvez não, não há certeza. Talvez, se a função auditiva ainda estiver ativa, quando os sons chegarem ao cérebro, ele já terá sofrido a falência cerebral, e por isso o som que entrar nos ouvidos não terá a nesse caso a decodificação cerebral. Mas talvez algumas funções mínimas do cérebro ainda estarão funcionando a reboque. Quer dizer que o corpo todo não morre de uma única vez, muitas coisas dele vão se apagando devagar. Será que ainda haverá um último sofrimento quando estivermos mudos em um caixão, ainda sentindo algo nas sugaçoes dos vermes? Fazer o quê né? Mas e a consciência? A mais elevada função do ser humano! O que vai acontecer com ela? (Veremos na próxima pílula)
(#Claudiano do Espírito Santo, filósofo candidato a Vereador 13062)
*Segunda Pílula*:
O que é isso Consciência? O que vai acontecer com ela após a morte do corpo? De fato algo anima o corpo, se não ele seria como uma pedra, um corpo sem vida. Essa alma (ânima) parece que cresce com o corpo pois o bebê é animado por ele a fazer coisas de bebê, ele já tem algumas percepções e sensibilidades conscientes apesar de bem pequenas. E Dentro de um campo cognitivo mínimo, ao crescer, o corpo, progressivamente vai deixando de ser bebê pra se tornar criança, seu campo amplia e vai ser ampliado ao máximo, até a alta velhice quando começa a se definhar e voltar a ser criança e bebê de novo. É o retorno.Parece que tudo expande e retorna ao ponto de origem. Mas então, o que é esse espírito que anima o corpo e o levanta pra viver a vida com coragem? É o espírito que levanta o corpo, o
que é esse espirito que vai dar significados para o seu viver e um sentido pra sua vida? Com certeza existe algo dentro do corpo do Ser humano, que até o animal não tem, e que vai formar a sua subjetividade e idiossincrasias. O que significa prazer pra alguns tem significado de dor pra outros, e vice-versa. É esse subjetivismo, chamado de alma ou espírito que faz isso, ter consciência de si e do mundo, não é o corpo. Alguns a chamam também de apercepção. Os cientistas falam que o animal não tem prazer no sexo, eles não sabem o que é o gozo. Eles não riem e nem choram, eles fazem barulho e só sentem dor, mas não tem o sofrimento ou o prazer da alma, eles não buscam um jeito de ter mais prazer ou menos dor, eles não procuram se aprimorar por conta própria. tanto o riso ou o choro precisam de consciência é autoconsciência, precisa de algo a mais que faça levantar o corpo pra festejar a vida ou lamentar e enlutar na morte. É isso que o ser humano tem ao contrário dos animais, como sendo o riso e o choro. Os animais não choram a morte da bezerra, o ser humano chora, os animais não sabem a onde está o ninho da égua pra dá boas risadas, o ser humano sabe. Falta-lhes a consciência e a auto-consciência de si, espiritual. Eu chamo Espiritual porque me parece a melhor palavra para aquilo que é diametralmente oposto ao que é natural ou material. Nos animais, ao que parece, a alma é ainda algo da natureza, é ainda algo da fisiologia. Por isso o ser humano parece ter espírito, como falei, algo diametralmente oposto à matéria e à natureza. No ser humano a consciência é espiritual não faz parte da natureza. É essa consciência anímica que faz o corpo falar, sorrir, chorar sentir, pensar, fazer e acontecer e se auto-reconhece em tudo. É ela que dá prazer e dor. Não há um padrão definido, um instinto já demarcado. Na natureza há,na matéria também. Por isso a Física, a Química e a Biologia podem fazer uma ciência da natureza e da matéria. Então, a consciência humana mesmo estando presa ao material e ao natural é antes de tudo, espiritual, consciencial. O ser humano faz cultura, os animais nem sabem o que é isso. Eles não fazem hospitais, hotéis, eles não sabem cozinhar, fazer poesia, isso é cultura. Tudo nos animais são repetitivos, condicionados, padronizados ou domesticados. Mas o ser humano costuma dar um salto pra fora dos determinismos.
Realmente, observando a natureza, o fruto surge frágil mas logo fica vigoroso por um certo tempo até começar o declínio quando estiver mais que maduro, rumo certo para a podridão cheio de vermes. São os vermes que terão a palavra final pra todo ser vivo! Mas é do fruto que nasce também a nova semente, pra tudo começar de novo. É de uma árvore que surge outra, é de um animal que surge outro, é de um ser humano que surge outro, no entanto muitas espécies de árvores foram extintas não nascerão mais, também muitas especies de animais foram extintas, e muitas raças de seres humanos desapareceram pra sempre. Outrossim, porém houve transferência de genes, houve mutações seres humanos novos e animais apareceram, novas plantas, e novos mundos surgem a cada Aeon. Não obstante a isso, a Terra também um dia a de ser um planeta morto, e ao que está indicando, ela já caminha para o seu declínio graças a cultura civilizatória tecnológica do Ser humano. A terra deve ficar como Marte, hoje um planeta enferrujado. Outros planetas do sistema solar também estão assim, virando poeira aos poucos. Será que nossos ancestrais num passado bem distante eram de Marte, e depois deles terem destruídos o planeta fugiram pra terra reflorestando e reativando a vida na terra.? Será que agora teremos que voltar pra lá de novo, ou irmos pra outro lugar?
Em Marte não há mais vermes pra recriar uma nova vida da morte. Olhem só como fazem falta, nestes planetas mortos aqueles bichinhos repugnantes e nojentos! Mas que fazem um alto trabalho de recriar uma nova vida ao que já morreu, eles estão sempre renovando a vida na Terra. Quando um planeta tem oxigênio, água e vermes ele tem vida renovável. Que grande trabalho fazem esses bichinhos no corpo orgânico morto! Um planeta morto, não tem água, não tem oxigênio, e não tem vermes. Um dia o sol vai explodir como qualquer estrela e vai acabar com todo o sistema, Um dia todas as galáxias e constelações vão se explodirem, todavia, novos sois vão formar novos sistemas planetários, novas estrelas, novas constelações surgirão do ninho cósmico das super-novas e quazares, isso se os buracos negros deixarem ou se a matéria escura e a energia escura não impedir através de seu alastramento pelo espaço, distanciando todo mundo até chegar a temperatura ao zero absoluto, esfriando tudo. Fazendo o universo alcançar a Morte absoluta da matéria. Se isso um dia acontecer de fato, porque eu não acredito muito no grau zero do universo. Mas mesmo para nós seres humanos fica então a pergunta de Chico Buarque na sua ineressante música Almanaque, primeiro ele canta, "O menina vai ver no almanaque quando é que isso tudo começou, e no final ele vai indagar, "por que tudo começou quando tudo acabar?". Veremos na próxima pílula.
#Claudiano do Espírito Santo. Filósofo candidato a vereador 13.062.
2 de set de 2018 11:23
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*O SEGUNDO SOL DE PLATÃO*
A música de Nando Reis, conscientemente ou não, é uma arte platônica.
E trata de um tema fundamental em Platão: o segundo Sol.
A
filosofia de Platão é a seguinte: assim como há um sol material no
centro do mundo emanando vida em todo planeta, há também um segundo Sol
espiritual emanando sabedoria em todo ser pensante.
Mas
espírito no entendimento grego não é o mesmo que espírito o
entendimento judaico-cristão. E Espírito para Platão ainda tem suas
diferenças radicais com o costume grego de ver as coisas.
Espírito
para Platão é o pensamento puro, ideal, abstrato, Evanecente do mundo
das idéias. E Deus então, é a ideia perfeita do Bem na mente universal
que emana tudo.
A razão é a antena que capta as
frequências vibratórias sutis e transforma-as em linguagem de
entendimento. Quanto mais bem equipada estiver a razão mais altíssimas
frequências vai poder captar e transformar em linguagem universal.
Neste
particular, a filosofia de Platão é bem egípcia, diga-se de passagem, e
bem rosacruz, "tudo é vibração, numa escala da mais inferior (matéria,
sensação e emoção) a mais superior (espírito, alma e mente).
Platão
estudou muito no Egito em suas viagens em busca de sabedoria, ele
nasceu de uma família rica e aristocrática de Atenas e portanto pudia se
dedicar integralmente aos estudos e viagens, (naquela época o sábio que
viajava muito adquiria um vasto conhecimento). Platão compreendeu bem a
Religião iniciática e mágica dos egípcios e sua adoração ao deus sol,
mas construiu com isso, não uma nova Religião mas as bases da filosofia
clássica ocidental: uma Ciência mãe de todas as ciências. Uma Política
mãe de todas as políticas e uma Verdade mãe de todas as verdades.
Este
mundo sensível, imperfeito, corruptível, não passa de uma cópia de um
outro mundo, o mundo ideal formado por ideias eternas, perfeitas e
incorruptíveis.
O real é este mundo ideal, espiritual.
Falso e enganador é o mundo da matéria em que vivemos.
Mas,
este mundo falso e enganador é vitalizado constantemente pelo
pensamento humano que provoca a ação do homem no mundo. Assim a ideia de
beleza é pura e perfeita mas as imagens de beleza é falsa e enganadora,
porque é uma imagem sensível; exemplo, uma mulher é bonita pra que
gosto, pra que cultura?
Isso vale pra tudo: a ideia é sempre perfeita, e a imagem é sempre uma cópia imperfeita da ideia.
Por isso Platão admirava a matemática, ela é a ideia mais pura do espaço e do tempo.
Platão
conta que houve um delito no céu, os seres pensantes foram jogados à
este mundo inferior da matéria e aprisionados no corpo. Se tornaram
humanos. Mas pelo pensamento a alma vai relembrando do mundo perfeito e
construindo uma imagem melhor que puder deste mundo ideal que viviam
antes da condenação pelo crime, neste mundo inferior da natureza.
Da selva ele faz uma cidade que só existe em sua mente, do sexo ele cria o casamento com suas regras,
(este
particular do sexo, o nosso desejo sexual não pode ser um desejo
natural mas abstrato pelo outro), continuando, da comida, o ser humano
cria a arte de cozinhar, da vida instintiva ele cria as leis e a vida
racional. De onde o ser humano tira todas estas ideias? A resposta é: da
lembrança do mundo perfeito em que vivia. Pensar é relembrar
(reminiscências).
E é Com isso que o ser humano vai
se libertando deste mundo matérial, grosseiro e viciante, e vai
transformando o mundo material em espírito. Ele está criando um mundo
espiritual melhor possível para ele poder viver dentro deste mundo
material.
Por isso Platão criticava muito a cultura
grega que ficava copiando as coisas da natureza e do mundo. A arte tem
que ser abstrata, a política tem que ser abstrata, a Religião tem que
ser abstrata, a ciência tem que ser abstrata. Tudo tem que ser abstrato
como a matemática, para captar as ideias puras, a música e a poesia
perfeita das esferas.
"Mas quando o segundo Sol
chegar, ele vai alinhar as órbitas dos planetas". A luz não será mais
natural e sim espiritual. Nós pensamos que este mundo sensível é real e o
mundo inteligível uma quimera, mas o contrário é que é verdadeiro. Pois
como pode ser verdadeiro o que transforma, o que corromper, o que
passa, o que acaba, o que morre?
Só o que é eterno
é verdadeiro, e só pelo pensamento se chega ao eterno. É uma pedagogia
da ascensão da razão. Primeiro o ser humano tem que superar tudo que o
prende ao mundo sensível: as paixões, os vícios, os prazeres, as
obsessões. Tudo que é carnal! Mas isso não quer dizer fugir das
solicitações da carne, mas sim dominá-las, ser maior que elas,
subjulgá-las pela razão. E somente pelo uso correto do raciocínio se
pode fazer isso. Segundo, vencer a ofuscação que o luz das ideias exerce
no início, na medida em que saímos desse mundo de trevas para a luz.
Muitos desistem em um desses dois momentos. Mas se o destemido consegue
superá-los, entra no terceiro momento, a entrada neste mundo da
eternidade, onde tudo mais fica relativo só este mundo é absoluto,
começa então o diálogo com os seres perfeitos do mundo racional.
Por
fim a última etapa: voltar a caverna, descer ao mundo material de
trevas para libertar os semelhantes do grande engano de acreditar
somente nos seus sentidos, percepções e falsos pensamentos. Libertá-los
do desejo de só viver este mundo da matéria e da ilusão.
Libertar
as pessoas da ignorância de acreditar que, por estar no movimento do
espaço e do tempo, não há eternidade. Libertar do desejo de acreditar de
que só devemos viver para os prazeres sensoriais e carnais pprque não
há outros prazeres além e nem outras riquezas, somente as deste mundo.
Mas
já sabendo que ao voltar a caverna o libertador sofrerá a regeição e o
perigo de morte, pois muitos poderosos vão fazer de tudo para que o povo
não seja libertado, o povo escravizado pelo mundo sensível, pois issa
escravidão dá muito lucro para os opressores que também estão
escravizados.
A verdade não senta na mesa da mentira para se tornar mentira, ela será sempre verdade doa a quem doer.
Mas
a morte para Platão é uma libertação da alma, e uma reflexão sobre a
verdadeira vida. A morte também sempre deixa uma semente de libertação
para os pósteros. Enquanto o segundo Sol não chegar para tomar o lugar
desse primeiro.
(Cláudiano Rocha, Prof. Filosofia)
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