[11/10 22:08] Claudiano doEspíritoSanto: *1000 PILULAS DE FILOSOFIA*
*Terceira Pílula*
Havíamos terminado a segunda pílula com a mensagem interrogativa da boa música de Chico Buarque, ALMANAQUE, ele indaga no final da música, "por que tudo começou quando tudo acabar?"
Será que houve um começo? Será que haverá um dia um fim? O que é começar e o que é terminar alguma coisa?
Vamos ver o que a Filosofia tem a dizer sobre isso.
A Filosofia pretende resgatar na razão os mistério do mundo e os fenômenos da vida. Diferente da ciência e da religião. A ciência quer resgatar os mistério do mundo, na experiência. A religião por sua vez quer resgatar os mistérios do mundo e os fenômenos da vida, na Fé. Enquanto a Filosofia é especulativa, e vai do geral para o particular a ciência é analítica, ela parte do particular para o geral. Para a ciência só é verdadeiro o que pode ser empiricamente verificável. Quanto a religião que nos finais da idade antiga e na idade média, com o fenômeno do cristianismo e do islamismo, se separou da mitologia, da filosofia e da ciência, como disciplina autônoma com critérios próprios. Vai distinguir o verdadeiro do falso pela existência ou não da Fé. Ela parte da certeza da Fé. Como dizia Santo Agostinho: "creio porque conheço e conheço porque creio". Então são três momentos na história: a Razão, que vai dominar o conhecimento na Antiguidade, a Fé que vai dominar o conhecimento na idade média e experiência que vai dominar o conhecimento na modernidade.
O que será que vai dominar o conhecimento na pós-modernidade? Eu penso que vai ser a política. Mas isso eu explico depois.
Vamos começar pelos filósofos gregos Platão e Aristóteles, os dois deram respostas que marcaram épocas.
Tanto Platão como Aristóteles são socráticos. Platão aprendeu com Sócrates e Aristóteles com Platão. Mas, ao que parece, os discípulos superaram seus mestres. Sócrates morreu convencido da vida após a morte, os vermes sugando o corpo não têm a palavra final para Sócrates. Foi ele que um dia, beliscando a sua pele do braço disse, "vocês acham que isso aqui é Sócrates?" Mas Se Platão, que foi discípulo de Sócrates, foi o primeiro que formulou uma teoria completa da alma e da eternidade, resgatando na razão o que era coisas mitológicas. Aristóteles vai divergir de Platão quanto ao entendimento cognitivo que este tinha da alma e do corpo, do tempo e da eternidade. Mas ambos concordaram numa coisa, na necessidade de se ter uma espiritualidade racional na base como ardorosamente defendia Sócrates.
Contudo, Platão vai partir de Sócrates, para inverter tudo! Pra Platão, o mundo real é o mundo das ideias e o mundo ilusório é o mundo sensível pra se alcançar o mundo real deve se romper com o mundo sensível. Aristóteles vai discordar, o mundo real não está separado do mundo sensível mas é o que está oculto ao mundo sensível, é um mundo só. Pra Platão o mundo sensível é um empecilho pra quem quer se elevar ao mundo inteligível. Aristóteles vai discordar, não há nada que chegue ao plano inteligível que antes não tenha passado primeiro pelo plano sensível. Platão defendia a verticalidade da religião que aponta para o alto. Aristóteles vai discordar, é na horizontalidade da ciência eidetica que vai se fundamentar toda possível verticalidade religiosa. Eidos é essência, Aristóteles defende uma ciência das essências, ciência eidética. Só na modernidade irá surgir as ciências empíricas. As ciências eidéticas aristotélica apontam para o fundo, para dentro, para o pro-fundo escondido. Platão pensava em dois mundos, o mundo sensível com seu sol a iluminar os entes da terra e o mundo das ideias com seu sol eidético a iluminar o seres celestiais. Aristóteles vai discordar, só há um mundo, mas com duas faces: a face material e a face espiritual. Um está dentro do outro. Um deságua noutro. De fato os nossos olhos no plano material só vêem o material, mas no plano transcendental, eidético, verá o que é espiritual.. Platão vai dizer que temos dois seres dentro de nós, o corpo e a alma. A alma é distinta do corpo e está presa dentro dele. "O corpo é o cárcere da alma". Por exemplo, O corpo jovem é cheio de vigor mas também cheio de ignorância, porém quanto mais ele amadurece e envelhece mais o corpo vai enfraquecendo suas correntes e a alma vai se libertando, se manifestando. Quanto mais se vai ficando velho mais o corpo vai pendendo o domínio do alma, por isso os velhos não tem mais o vigor corporal mas está em pleno vigor espiritual é uma pessoa cheio de sabedoria, até a morte libertar a alma do corpo. Para Platão a filosofia é ensinar a morrer em vida pra libertar viver pela alma e não pelo corpo. O corpo pra Platão nos leva ao mal, ao vício, a paixões e ao erro. A alma nos leva ao bem, às virtudes, a saúde, ao equilíbrio e à disciplina. A Filosofia nos ensina a morrer pela matéria para viver pelo espírito. Por isso, Platão criou a escola chamada Academia, lá tem a ginástica pra disciplinar o corpo à alma e domesticá-lo á mente. Depois tem o estudo da geometria pra forma a mente a ver o mundo de forma matemática, que é a Ciência das esferas celestial, é por fim a Filosofia propriamente dita. Que é a verdadeira religião racional de Deus.
Aristóteles vai discordar grandemente! Não existe essa dicotomia toda, entre corpo e alma, a alma é só o outro lado do corpo, a parte oculta do corpo. O cérebro é um órgão físico mas a mente é esse mesmo órgão se aflorando espiritualmente. Aristóteles observa que todo animal vertebrado tem cérebro mas só o ser humano tem mente. Por isso ele vai dizer que o homem é um animal racional, e todo conhecimento está na natureza e não fora dela em outro mundo. Por isso nós já nascemos com o impulso para o conhecimento porque ele está na tessitura do corpo. Aristóteles escreveu uma física e uma metafísica. Ele tanto escreveu sobre as ciências da natureza como sobre as ciências do homem. Ele fez uma filosofia e uma teologia. Porque um se desdobra noutro.
Enquanto para Platão o tempo é uma imagem móvel de uma eternidade fixa. Aristóteles vai discordar, o tempo não é uma imagem, é a própria eternidade se temporalizando no antes e no depois do eterno agora. A eternidade, é a dobra do tempo, ou seja, é o agora constante do antes e do depois do inconstante.
O Ser para Aristóteles está dentro do Ente, é o ente enquanto ente. Ou seja, é a sua essência. Existe o ente enquanto mesa, cadeira, etc., mas há um Ente enquanto Ente, ou seja, enquanto ele mesmo: é o Ser puro. O ato puro, o motor imóvel, a Causa não-causada que deu início a tudo: Deus.
(#Claudiano do Espírito Santo filósofo 13062)
[12/10 10:57] Claudiano doEspíritoSanto: 1000 PÍLULAS DE FILOSOFIA
Quarta Pílula
Aristóteles ao terminar seus estudos, vai deixar a Academia de Platão e criar uma outra Escola chamada de LICEU. A idéia dele é elevar o plano físico e o plano emocional ao plano intelectual. Formar a enteléquia do grego entelékheia (en='dentro' + telos='finalidade'). Na filosofia aristotélica, A enteléquia é a realização plena e completa da finalidade potencializada e atualizada de todo e qualquer ser animado ou inanimado do universo. Enteléquia é o ser plenamente realizado o ser em ato em oposição ao ser em potência.
Para Aristóteles a 'entelequia' é uma contraposição à teoria platônica das ideias por defender que todo ente se desenvolve a partir de uma causa final interna a ele e não, por razões ideais externas a ele, como afirmava Platão. A Entelequia aristotélica (QUE é diferente da Leibneziana) seria portanto a tensão de um organismo para se realizar segundo suas leis próprias, passando da potência ao ato. É Como o fruto que é uma árvore em potência. E é como a árvore que é o fruto em ato. A episteme grega se realiza por processos, ao contrário da episteme hebraica que realiza por contrastes. É dessa forma que o emocional se aflora do físico, que a mente se aflora do cérebro e que a alma se aflora do corpo. Então a preocupação de Aristóteles é ensinar no Liceu as ciências da natureza, as ciências do ser homem e as ciências de Deus. Aristóteles é o fundador da clivagem do conhecimento: natureza, homem, Deus. Um levando ao outro.
No Liceu Então será ensinado no âmbito eidético e não ainda no âmbito empírico(Que virá só na modernidade), as ciências da natureza: botânica, zoologia, mineralogia, química, astronomia, mas também as ciências do homem: medicina, psicologia, retórica, literatura, história, política, e as ciências de Deus: Filosofia e Teologia.
No particular da política: Platão vai construir uma filosofia política do eterno. Enquanto Aristóteles vai fazer uma teoria política do entre- o eterno e o tempo-.Uma política do meio termo, da negociação, do bom entendimento. Por isso Aristóteles é o pai da noção de Estado, é da boa noção do Estadista. Aristóteles era democrático enquanto Platão era, como Sócrates foi, aristocrata. Grande admirador de Péricles e partidário de seus ideais. Para eles (Sócrates e Platão, que eram atenienses, é se sentiam o máximo por isso) existem bons tiranos, e Péricles foi um deles mas nunca existiram bons democratas mas somente politiqueiros e interesseiros. Se queremos fazer a boa política devemos subir ao trono os mais preparados, os nobres, para que o povo seja bem preparado por quem sabe.
Platão é o pensador do Eterno. Platão pensa numa filosofia apodítica é apofântica, ou seja, por um lado universal e necessaria e por outro eterna e auto-reveladora da verdade na mente humana.
O raciocínio de Platão é assim: de onde veio a ideia do ser humano viver em cidades e não nas selvas como os animais? Por que os seres humanos usam roupas ao invés de ficarem nus como os animais? Se o princípio da natureza é o naturismo. É porque os seres humanos não são desse mundo é nem desse corpo. Mas devido a um delito no início dos tempos eles foram expulso do mundo eterno e jogados neste mundo efêmero, punidos por Zeus a terem que tirar suas sobrevivência do trabalho nesse planeta cativos nesse corpo de morte. Agora, pela lembrança eles vão tentando fazer desse mundo natural num mundo racional, pelo trabalho, um mundo apropriado pra eles viverem melhor. Da cidade ideal eles tentam fazer uma cópia aqui do que existe lá. Casas, hospitais, templos, estádios, etc. Tudo isso não existe na natureza é lembrança do outro mundo. Eles criam a cultura pra poder serem felizes. A própria busca de felicidade é espiritual, uma saudade do mundo de lá. Eles fazem roupas tentando copiar pela lembrança as vestimentas ideais de lá; Eles coziam alimentos e fazem pratos saborosos que não existem na natureza tentando copiar pela lembrança, de como eram os alimentos de lá de cima. É assim tudo: a música instrumental e as artes abstratas são lembranças de lá. Mas a poesia exaltando o mundo e a natureza, a escultura e a pintura sobre as coisas da natureza e do mundo material, pra Platão são detestáveis. Tudo pra ser bom tem que ser abstrato, novo, inimaginável pra chegar perto do lado de lá. Esse mundo já é uma cópia mal feita e ainda fazer uma outra cópia dessa copia é perda de tempo. Nós estamos nesse mundo pra transformá -lo no melhor que nós pudermos fazer, igual ao mundo das ideias. Esse é o sentido platônico da vida.
Na próxima eu falo o que Aristóteles acha disso.
(Claudiano do Espírito Santo, filósofo 13062 pra vereador de Luziânia)
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